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Obras para Copa e Olimpíada e a Sustentabilidade
22/07/11 - 10:00
Por: Aristeu Moreira
Fonte: Brasil Econômico / ABRAPA

Ainda que com alterações no cronograma de entrega e preço final, projetos iniciais se comprometeram a seguir regras.

Atrasadas em sua maioria, as obras de infraestrutura em reforma ou implantação no país para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 estarão concluídas a tempo, acreditam representantes dos empreiteiros e da construção civil de obras públicas. Mesmo que o ritmo em que são tocadas tenha de ser acelerado, não há risco de os princípios da construção sustentável serem abandonados, pois eles decorrem de obrigações contratuais e constam tanto nos projetos básicos quanto nos executivos destes empreendimentos.

A sustentabilidade acompanha, também, o boom imobiliário vivido pelo país, mas com menor grau de adesão se comparada à das obras públicas. Adotados no país a partir da ECO-92, seus princípios e técnicas se propagam hoje mais por exigência dos poderes públicos. Daí a maior incorporação deles nas obras do governo.

Já há leis a respeito, mas o Brasil ainda não estabeleceu classificação própria quanto à sustentabilidade, lembra Valdemar Gargantini diretor da Rossi Residencial, uma das maiores incorporadoras do país. “Na Rossi atuamos exclusivamente com base em valores como inovação e sustentabilidade, mas na falta de padrão próprio no Brasil, seguimos os internacionais”, explica Gargantini.

Francisco Vasconcelos, vice-presidente de meio ambiente do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon), reconhece: “Antigamente, quando se falava em construção civil e em obras públicas, não se levava em consideração o meio ambiente e o impacto social da obra. Prevalecia a preocupação com o lado técnico. Hoje os parâmetros são outros e o que prevalece é a preservação ambiental”.

Para ele a propagação do tema pela mídia e o surgimento de legislação com exigências de que a sustentabilidade seja seguida em todas as áreas da economia provocaram a mudança de mentalidade.

Mas, algumas leis, como uma de São Paulo com a exigência do aquecimento solar em edifícios “nem são muito inteligentes, porque proíbem tudo o que se afastar do padrão quando deveria ser mais flexível, já que cada caso (prédio) é um caso”.

Mesmo com leis incipientes, tanto os empreendimentos imobiliários quanto os públicos são implantados com uma preocupação cada vez maior de minimizar seus impactos no meio ambiente. A meta é que haja maior eficiência em seu processo construtivo e operacional (quando prontos) e que possibilitem reduções no consumo de CO2, água, energia, menor geração de resíduos sólidos-além da separação e reuso destes – que os insumos e materiais utilizados venham de fontes renováveis, e que a madeira usada seja legal (certificada).

Esse nível de exigência, hoje-afirma o executivo do Sinduscon – não se impõe só na construção de casas, apartamentos, ou escritórios. No caso da Copa, também a FIFA exige que todas as obras atendam aos requisitos da sustentabilidade.

“Isso desencadeou um processo pelo qual nós construtores exigimos o mesmo dos fornecedores de insumos e matéria prima . A pressão nesse sentido é em toda a cadeia da construção civil e pública”.

Seguir os princípios da sustentabilidade, calcula Vasconcelos, encareceu as obras em valores entre 4% e 6% no Brasil.

“Mas o que o consumidor do setor imobiliário e o beneficiário da obra pública têm de estar consciente é que na outra ponta ele tem um produto com qualidade melhor”, comemora o executivo.

Alguns empreendimentos nem foram contratados

Muitas das obras de infraestrutura para Copa e Olimpíada estão com atraso até na elaboração dos projetos.

Uma parte sequer foi contratada, lembra Manuel Rossito, diretor do Departamento de Infraestrutura da Indústria da Construção da Fiesp. “Mas, dá para acelerar”, ameniza.

“Em uma questão pontual, a dos estádios, pode se estabelecer dois turnos de trabalho e se consegue reduzir os prazos”. A aceleração das demais, principalmente das relativas à mobilidade urbana, é mais complexa.

Elas têm maior impacto no meio ambiente, interferências em redes de água, energia, petróleo, e envolvem muitas instâncias de poder. “Dificilmente se tem como agilizá-las.”, diz. No tocante aos aeroportos, o início e deslanche das obras é ainda mais difícil, admite Rossito, porque “dependem da equação entre as instâncias de poder e elas têm de estar todas afinadas – o Estado, os agentes de controle internos e externos (tribunais de contas) e as áreas que administram, autorizam ou outorgam concessões.

Precisa de um alinhamento muito forte.” A sustentabilidade na construção privada e na pública ainda enfrenta alguns problemas, como o gargalo representado pela mão de obra despreparada, a falta de infraestrutura urbana adequada para uma melhor qualidade de vida – principalmente onde os empreendimentos imobiliários são erguidos-e a insegurança jurídica nos contratos com o poder público. Mas, no item qualidade de vida, destaca Rossito, a sustentabilidade criou um círculo virtuoso: “É uma solução para a melhoria urbana, na medida em que obriga a recuperar áreas urbanas degradadas e a criar infraestrutura- escola, saúde, lazer e pavimentação”.

Grave, também, é a questão da segurança jurídica. “O empresário não se sente seguro para investir com o Estado. É ruim a forma de liquidação de pendências entre empresa e governo. Quando há impasses, se vai à Justiça e a ação demora 10 anos. O empresário ganha e o que tem a receber vira precatório e vem nova demora para o pagamento”, diz Rossito Maurício Bernardes, gerente de desenvolvimento da Tecnisa, construtora de imóveis, considera baixa a adesão de sua área à construção sustentável e, menor ainda, o interesse do público consumidor.

“No setor residencial, ainda é minoria o público que, ao comprar, leva em consideração os atributos da sustentabilidade. Escolhem por outros benefícios como a localização ou arcar com um condomínio menor”, diz o especialista.

“Fizemos um investimento vultoso prossegue Maurício – em um empreendimento nosso em Guarulhos. Com ele fomos pioneiros na adesão ao Programa Nacional de Consumo de Energia Elétrica (Procel), que dá certificação de eficácia no uso e economia de energia), instalamos medidores de água individuais, aquecedores, e a constatação é que os clientes compraram porque com o investimento haveria uma economia de R$ 200 mil anuais no condomínio”.

Também os agentes que bancam a construção civil e pública no Brasil – inclusive os bancos oficiais – teoricamente não financiam empreendimentos que tenham passivo ambiental e não se disponham a cumpri-los. Mas, a adesão às exigências ambientais como condição para obter o dinheiro é voluntária e mesmo aqueles que não aderem obtém os recursos do mesmo jeito.

A sustentabilidade na construção privada e na pública enfrenta alguns problemas, como o gargalo representado pela mão de obra despreparada e falta de infraestrutura.

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